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Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

7 de Fevereiro – terça-feira

I

Passo ao largo da escola que pediu nome emprestado ao poeta Joaquim Serra. Nesse mesmo momento compreendo que não conheço a poesia de quem se fez suficiente para baptizar um estabelecimento de ensino. Aliás, nem sei se é filho da terra... Salto para o telemóvel para tentar investigar sobre o assunto, mas a malandra da geringonça está arisca e teima em não colaborar. Tenho de investigar mais tarde. Isto se me lembrar, claro está. Muitas ideias e pensamentos que tenho na rua dispersam-se e desvanecem.

Nota-se que os dias estão a ficar mais dia e menos noite. É das coisas que aprecio quando vamos no sentido da estação mais quente. Isso e o horário de Verão; quando o período diurno se estende e nos obriga a adiar o jantar e a deitar mais tarde. Durmo poucas horas, não me causa transtorno essa exigência. Nos últimos dias tenho dormido ainda menos. Encetei a leitura da “Guerra do Fim do Mundo” de Mario Vargas Llosa. Aquilo é uma bíblia com mais de 600 páginas e um peso considerável, o que limita a sua leitura nos transportes públicos. Assim prefiro lê-lo em casa, o que me tem levado a descurar tarefas domésticas, a limitar o visionamento de televisão e a roubar tempo ao sono. Mas tem valido a pena. Sacana do Conselheiro bem os leva nas palminhas. Ainda estou para ver o que é que aquilo vai dar entre republicanos e monárquicos, libertários e proprietários. Anda para lá uma confusão...

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É engraçado ver que na linha amarela há uma estação em que o tempo de espera cristalizou. De há uns dias para cá faltam sempre 50 segundos para o próximo comboio. Poderá isto ser uma forma de devolver alento aos utentes devido às constantes perturbações? A mim engana-me sempre. Ainda hoje esperei mais de 3 minutos, quando o placard anunciava os tais 50 segundos. A Administração do Metro que reequacione este procedimento. Eu quando necessito de me sentir enganado peço um extracto fiscal e chega-me perfeitamente.

II

Nunca me lembro do nome dos utensílios que existem no metro, semelhantes a uma argola, que servem para os passageiros que viajam de pé se segurarem. Aliás, nem tampouco sei se aquilo tem nome... O que sei é que a mola que os prende faz sempre um barulho infernal, à medida que que os utentes fazem dançar a sua mão para trás e para a frente, acompanhando os solavancos das carruagens. Talvez por isso, tantas optam por não se agarrarem a esse objecto. Não pretendem ser o centro das atenções. É algo inevitável; quando começa o chinfrim todos os olhos da carruagem convergem nesse ponto, nessa pessoa. Numa composição de 3 carruagens apenas um indivíduo esse apetrecho.

O homem laranja ainda não foi notícia hoje. Não deve ter “tweetado”. Deixa cá ver... Afinal já “tweetou”, mas nada com grande polémica, apenas coisas estúpidas. Seria de esperar que semelhante personagem fosse ficcional ou extra-terrestre, mas não. Apenas um oceano nos separa. Mais irreal ainda foi ter chegado à presidência da maior economia mundial. Muitos poucos acreditavam que tal era possível. Eu fui uma das pessoas que pensei, jamais. Muitos milhões de pessoas tiveram de engolir em seco e assistem agora atónitas aos desenvolvimentos diários de pós-verdades. Nunca quis ouvir quem me ia alertando que era possível. Bem, possível é sempre, mas eu nunca acreditei. O pior é que se concretizou e ainda pior é que está a tentar levar a sua agenda em diante. Valha-nos as inúmeras manifestações diárias contra os seus procedimentos e os tribunais que têm estado atentos aos decretos presidenciais que ferem, inúmeras vezes, a constituição local. O mundo da artes e do entretenimento também se coloca frontalmente contra este presidente. Tal como muitas das maiores empresas estado-unidenses. Estas últimas por razões puramente mercantilistas, uma vez que o proteccionismo irá reduzir largamente o seu universo de consumidores e perigar a actual tendência globalizante.

Não sei porquê, mas tenho a sensação que voltarei a este assuntos nestes meus relatos.

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