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Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

6 de janeiro – sexta-feira

I

A rotina por vezes altera-se. Nesse aspecto esta semana útil que hoje termina foi atípica. Galguei o rio na viatura particular, que abandonei nos arrabaldes da capital, e tomei o metro. Exigência do dia que vai ser longo e que impossibilitará o regresso através dos transportes públicos. Por opção não o faria. Cada vez mais me convenço que as cidades não são feitas para os carros.

 

II

Havia umas horas a matar entre a saída do trabalho e o jantar marcado. Decidi fazer algo que há muito não fazia. Fui a uma matiné de cinema sozinho. Mas invés de ver um filme recebi um murro no estômago. Daqueles bem grandes que trazem a água ao olhar, ao mesmo tempo que nos expõe, desprotegidos, à realidade. E enquanto me deslocava de metro para o local combinado para o jantar, não conseguia deixar de pensar no Daniel Blake. Aqueles que quando são apelidados de pessimistas depressa se dizem realistas, é à figura de Ken Loach que estão a recorrer.

Depois de uma caminhada suficiente cheguei. Achei que era altura de me vestir novamente. Meu espírito já não aguentava a fria nudez do dia-a-dia, isto apesar do confortável calor que emanava do meu cachecol. É tramado quando a mente tem uma mente própria…

IMG_20170103_130415_706.jpg

III

A noite já ia avançada e para onde precisava de ir, só mesmo de táxi. Dá prazer passar fora de horas em certas zonas da cidade. O silêncio impera e a tranquilidade parece que nunca mudará. Sabemos que tal não é verdade, pois basta o dia ameaçar nascer para o corrupio iniciar. Mas, por enquanto, aprecio a fluidez daquela viagem. Eu que nem gosto de ser conduzido… Tive sorte, pois apanhei um motorista exemplar, simpático e com opiniões coerentes e não um daqueles estrangeiros que nem as ruas conhecem. Tem é um sotaque um pouco estranho. Pergunto-lhe de onde é natural. Ora do Brasil, claro. Ia jurar que o homem era açoriano. E decidi ficar calado o resto da corrida, não fosse dizer algo mais que me envergonhasse.

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