Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

17 de Janeiro – terça-feira

I

Esta noite tive um sonho. Sonhei que Martin Luther King não tinha sido assassinado em 1968. Que o mundo nunca tinha conhecido Trumps, Clintons, Bushs; Putins, Assads, Kadafis; Jung-Uns, Le Pens, Obiangs, Maduros e afins. E que ninguém celebrava o seu famoso discurso, porque esse era simplesmente o registo banal. Ao mesmo tempo que relembro este sonho olho em redor. Denoto diferente etnias, sotaques e línguas. Tento avaliar o grau de tolerância perante a diversidade naquela carruagem do metro. Aparentemente nada indica animosidade na expressão dos presentes. Mas sabemos que este são sentimentos cada vez mais escondidos; recalcados. Que saem à rua em dias de eleições, como temos constatado nos tempos recentes. O futuro que se queria de esperança, sustentável, apresenta um aspecto medonho, tremido. Que legado deixaremos às gerações vindouras? Que moral teremos para educar ou indicar determinado caminho?

Cruzo-me com os cacifos inteligentes, imensos no seu amarelo, a quem coloco estas questões; não me respondem... Ou estão mal-humorados ou não foram com a minha cara.

IMG_20170118_070900_947.jpg

 

II

O dia na capital acabou por ser longo. Não fruto do trabalho, mas da actividade pós-laboral. Num acto impulsivo inscrevi-me numa “loja de trabalho” (em português workshop) de iniciação à actividade teatral. Provavelmente, mais para me contrariar e provar que também conseguia, do que por outro motivo qualquer. O mini-curso foi ministrado por 2 nomes maiores da arte cénica nacional: Io Apoloni e Guilherme Filipe. Que bom que me obriguei a ir. Só por os ouvir falar, apaixonadamente, do seu ofício valeu a pena. Em cada gesto, dedicação. Em cada palavra deslumbramento. E foi uma partilha de conhecimento, em conversa amena, que se passou naquele fim de tarde numa pequena sala excessivamente quente. Uma fuga à rotina foi o que semelhante experiência me proporcionou. Num estranho à vontada e cumplicidade com os restantes participantes. E um desejo enorme de ver mais, muito mais, teatro. Mas de forma apaixonada e completa, como como nos foi passado. Será que estou à altura desta empresa? Na agenda marco a peça e o local onde está em cena: “Noite da Liberdade”, Teatro Municipal Joaquim Benite – Almada, até 29 de Janeiro. Tentar, por tudo, não falhar...

Em poucas ocasiões uma bica me soube tão bem. Com aquele que tomo no bar do barco. A cada oscilação da chávena é como se a minha alma se enchesse de grãos de café. Tão doce me soube aquele amargo. Tal como os pêssegos da minha infância colhidos dos pessegueiros do quintal da minha avó. A lembrança que partilhei na oficina teatral. Com deliciosa saudade. Como gostava que todos os momentos da minha vida tivessem o sabor e o sumo daqueles pêssegos da minha infância. Que bem me faria. Não sei como alcançar esse estádio. Vou tentar aproveitar mais cada episódio, partilhar mais cada momentos. Ou, mais que provável, rabisco isto no caderno e rapidamente esquecerei semelhante resolução. Mas pelo menos já reconheço.

IMG_20170223_073630_284.jpg

 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Posts mais comentados

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D