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Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

Viagens na Minha Terra em Transportes Públicos

A esquizofrenia dos dias banais. A normalidade dos que fogem à regra.

13 de Fevereiro – segunda-feira

I

O som de algo a cair desperta-me. Estremunhado pergunto o que se passa. Caiu não sei o quê responderam-me da sala. Ele já está de pé e pronta a sair. Preparada para fazer a sua parte e no fim do mês ganhar seu quinhão. E eu ainda me queixo de acordar cedo… Patético.

Revolto-me na cama sem conseguir pregar olho. Não vale a pena continuar a insistir. O sentimento de culpa tomou conta de mim. Lentamente queimo tempo nas tarefas rotineiras que normalmente executo de forma ágil e expedita. Mas hoje não há pressas.

Quando chego à paragem, a mesma está deserta. Por momentos ocorre-me a ideia que de tanto perder tempo acabei por falhar a carreira. Verifico as horas e percebo que estou bem a tempo. Apalpo o passe dentro do bolso. Estou pronto. Ao entrar no autocarro pergunto-me se haverão dois veículos iguais a fazer estes trajectos urbanos. É que tenho a genuína sensação de que entro sempre num autocarro diferente. Mas isso pode ser só confusão minha.

Parte do trajecto foi enriquecido pela companhia de um bom amigo. Músico de coração, vendedor de livros por profissão. Com ele há sempre assunto. É interessante. Falamos de cultura e da estagnação da nossa comunidade neste campo. Mas também prometemos que faremos alguma coisa. Até já o fomos fazendo, aqui e além. Mas o tempo é sempre curto, as solicitações várias e as exigências do dia-a-dia deixam sempre sonhos e ambições por concretizar. Assim é a vida; onde na maior parte das vezes sobrevivemos em vez de viver; onde a necessidade de manter o físico remete para o esquecimento o alimento do espírito.

II

Ao regressar recordava o espectáculo “Pessoas Estranhas, de Marta Gautier, que tive oportunidade de assistir no sábado à noite. Fora apresentado como stand-up comedy, mas que era mais do que isso. De forma inteligente desconstruía uma série de estereótipos, ou não, e avançava com o conceito “desprogramar”. O mesmo consiste na ideia de desconectarmos do que nos prende e nos vai formatando à medida daquilo que o sistema vigente pretende. A televisão e o telemóvel, por exemplo, são avançados como meios de nos programar e que devem ser postos de lado caso queiramos reiniciar a nossa vida. Claro que este é um assunto sobejamente conhecido, mas agora foi-lhe alocado um nome e é apresentado de forma inteligente e embrulhado num discurso sofisticado. Mas uma coisa é certa, quem no dia 11 de Fevereiro de 2017 presenciou aquele espectáculo no Cine-Teatro Joaquim D’Almeida e o compreendeu verdadeiramente, saiu do mesmo a pensar: “e se…” e é aí que Marta Gautier foi brilhante (e não falo do calçado utilizado no espectáculo).

IMG_20160926_214220.jpg

 

O barco atracou antes das 17:30 e percebi que tinha tempo de ir a uma loja antes de ir apanhar a carreira. À meia hora certa, quando saiu do Cais, os autocarros já não estão lá. Tinham todos saído num excesso de zelo motivado possivelmente pelo habitual render de motorista da carreira naquele horário. Resultado: ter de chatear alguém para me vir buscar àquele fim de mundo.

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